Inspirações

Como ter inspirações? Como ativá-las, invocá-las? Como é possível entrar em uma corrente de inspirações onde a mente não cessa? Quando, no momento que que você pega um lápis para fazer um desenho, a sua mente não trava e você fica horas ali, olhando para uma folha em branco, roendo a ponta do lápis? É preciso ação. Não há outro caminho, porque a inspiração realmente surge da ação, da prática e do movimento. Mas o que desenhar? O que fazer? Não pense muito, mas apenas faça. Podemos buscar essas inspirações dentro de nós. Permita-se olhar para dentro e trazer para fora, em desenhos, seus pensamentos, emoções e sentimentos. Quando olharmos para fora, teremos a capacidade de estar presentes e, dessa presença, dessa contemplação da vida, se permitir ser inspirado por ela. A fontes de inspirações são infinitas, mas para não cairmos no limbo criativo, temos que treinar a capacidade de enxergar dentro e fora de nós mesmos.

 

 

 

Viagem a Cavalcante

Quem conhece Brasília se impressiona muito com o seu céu. Ver a linha do horizonte a quilômetros de distância, sem a interferência de prédios ou outros elementos, nos dá uma conexão com a vida e o universo muito maior. Essa mesma sensação pode ser sentida de uma maneira muita mais intensa, se formos entrando cerrado adentro. A Chapada dos Veadeiros esconde lugares mágicos. Um deles, muito especial, se chama Cavalcante, no estado de Goiás, ao norte da Chapada dos Veadeiros e a cerca de 320km de Brasília.

Os quatro elementos giram de uma maneira diferente nesse lugar; a energia da natureza é tão forte que chega a dar medo. É possível também encontrar os Kalungas, habitantes de uma comunidade quilombola local, que expressam no rosto uma simpatia completamente gratuita a quem vem de fora. Por outro lado, há ainda pessoas que chegam perdidas em si mesmas, buscando um entendimento maior sobre a vida, e que são acolhidas por outras pessoas que estão ali também na mesma caminhada. Sentir é uma palavra que define bem Cavalcante; estando lá é possível sentir e apreciar a beleza da vida, cada chuva, cada pôr do sol, cada estrela, cada sorriso, cada som, cada bicho se torna um espetáculo.

 

 

Vida_Morte

A morte é nossa companheira silenciosa, ela nos ronda todos os dias, o tempo todo, e a cada minuto que passa, morremos um pouquinho. Com o passar da vida, evitamos assuntos que giram em torno da morte e, com isso, vamos nos esquecendo dela e também de nos aprofundarmos na compreensão do ciclo da nossa existência terrena.

A notícia de uma doença que traz consigo um risco de morte, nos faz sentir o tempo de uma maneira diferente, especialmente quando a incerteza da vida está relacionada diariamente a um ente querido.

O medo da morte traz uma série de sentimentos e mágoas guardadas lá no fundo das nossas almas, que vamos deixando passar por termos medo de nos aprofundarmos mais nas nossas relações familiares e isso, muitas vezes, acontece pela falta de compreensão e de não conseguir enxergar os pais fora desses respectivos papéis.
Palavras que não foram ditas, coisas que deixaram de ser feitas, promessas não cumpridas não importam mais porque, no momento em que o ente querido realmente se vai, é importante se auto-observar e praticar a mais profunda compaixão e perdão para que ele finalize o seu ciclo em paz. Assim, o elo de ligação que ainda existe não será mais conturbado pela falta de aceitação da realidade (que já não é mais a mesma).

 

 

Unidos do Swing

Terça-feira, 22h33, voltando para casa, pela ciclofaixa da avenida, de repente, minha atenção é capturada por um som. Um não, vários! Eram vários instrumentos juntos sendo tocados, ao vivo, embaixo do vão do MASP.

Decido atravessar a avenida e ir ver e escutar de perto o que acontecia. Era uma banda bem animada que fazia ali o seu encontro e ensaio do dia. Fico observando, escutando e sentindo. Saco o celular do bolso e decido registrar o momento através de uma foto. Com a câmera já ligada, e antes de dar o primeiro clique, me recordei que estava com meu material de desenho dentro da bolsa. Então, pela primeira vez, resolvo mudar; resolvi registrar o que via e sentia através de um desenho.

Escutando e observando, um desenho timidamente começa a aparecer no papel. Algumas pessoas percebem, gostam e retribuem com sorrisos. Acabo conversando com algumas pessoas da banda, que me passam a informação que elas estão ali, todas as terças-feiras, para fazer o ensaio semanal. Pensando nisso, proponho pra mim mesmo de estar ali presente, todas as terças-feiras, para registrar esses encontros. Os desenhos aqui expostos retratam esses encontros e as experiências que vivi, de agosto até dezembro. Não preciso entrar em detalhes sobre as histórias maravilhosas que vivi, porque isso vocês podem ver, sentir e interpretar nos desenhos. Agradeço à banda Unidos do Swing, por toda a inspiração transmitida durante esse tempo juntos.

 

 

ZendoBrasil

O budismo apareceu na minha vida de uma forma bem sutil, por meio de algumas leituras sobre meditação. Fui me interessando e logo tive a primeira experiência com meditação, em um templo chinês com o qual não me identifiquei muito à época. Ainda buscando mais informações que pudessem esclarecer melhor minhas dúvidas e pensamentos, um dia em casa, me pego assistindo a uma palestra da sensei Coen, nossa mestra aqui na sanga. Em poucas palavras, ela desperta no meu coração a paixão e um entendimento maior sobre o zenbudismo. Daí pra frente, me aprofundei nas práticas e logo me tornei membro, porque tinha certeza que ali era um lugar em que queria estar sempre.

No início do ano, acabei perdendo o prazo para a inscrição do curso que a nossa comunidade oferece de introdução ao zenbudismo. Então, logo antes de sair de férias, fiz a minha inscrição e, quando retorno, em agosto, vou ao primeiro encontro do curso. Questionamentos, dúvidas, anseios, reflexões. Vou percebendo, no depoimento de cada um, que tudo isso é um reflexo de mim mesmo. O primeiro dia foi tão intenso que volto, para um segundo dia de aula, decidido a registrar esses encontros através de desenhos, desenhos que me ajudam a refletir e também a entrar em camadas mais profundas da minha própria mente. Os desenhos aqui expostos mostram uma das três joias do budismo que é a sanga. A importância que a sanga tem e a força que ela representa para nos ajudar a sair de lugares dos quais não conseguimos sair sozinhos, e avançar no caminho que nunca para, incessante transformar.